domingo, 11 de setembro de 2011


Jano e Jana


No Paganismo Imperial Romano, sabemos muito pouco sobre as divindades ancestrais dos romanos e o que mais conhecemos são as divindades gregas que se fundiram com as antigas crenças dos povos itálicos, formando o que conhecemos como paganismo greco-romano.
Entre os povos Itálicos que depois iriam se juntar, ou serem juntados à força, para a formação de Roma, existiam divindades fortíssimas que se fundiram com as dos invasores indo-europeus criando um panteão diversificado e fundamentado no divino casal criador e mantenedor da vida na terra.

Depois, com a expansão da Republica Romana, passou-se a assimilar deuses de outras civilizações que conquistavam e os levavam para Roma com o intuito de dizer aos povos submetidos que mesmo os seus deuses preferiam o Império Romano ao país e região que antes eram cultuados, uma maneira simples de dizer a estas populações que era muito bom aceitarem a cidadania romana, já que até mesmo os seus deuses haviam feito isto.
Divindades importantes do paganismo arcaico romano são perdidas neste processo: Bona Dea é sincretizada com Deméter, quando na verdade ela é Fauna, a deusa dos animais, Fauno, o seu marido, teve mais sorte, pois foi assimilado com Pã, praticamente com as mesmas funções. Centenas de outros deuses de importância vital para o desenvolvimento de Roma foram perdidos ou assimilados a divindades gregas, perdendo sua função original.
Do casal primordial, Gaius e Gaia, só nos restou a fórmula do casamento romano “Ubi tu Gaius ego Gaia” Quando fores Gaius eu serei Gaia, que sela uma união eterna.

De outro importante casal Jano e Jana (Ianus e Iana no original), ela a Grande Mãe de toda a vida se transforma em Diana, que de Grande Mãe passa a ser identificada com a virgem Ártemis, perdendo todos os seus aspectos de fecundidade. E Ianus passa a ser considerado apenas o deus das Portas e dos Princípios. Um eco longínquo nos faz lembrar dele todo principio de ano, quando entramos no mês de Janeiro, o mês de Jano.

É de Jano que vamos falar nesta coluna. Podemos depois falar de outros deuses que se perderam ou que perderam suas atribuições e que é preciso recuperar o seu sentido original. E como podemos fazer isto se o conhecemos muito pouco?

Jano é um deus primordial na Itália, anterior inclusive à chegada de Saturno, destronado por Júpiter, tanto que foi ele quem recebeu o senhor dos Titãs na península e juntos fizeram a Idade do Ouro italiana. Possivelmente Jano e Jana são filhos do casal criador Gaius e Gaia, que, e eram representados pelo Carvalho (Quercus Robur) e pelo Azevinho (Quercus Ilex). O carvalho por ter o ciclo anual e o Azevinho perene.

Jano era representado com uma cabeça bifronte (com dois rostos), um jovem e imberbe olhando para frente, podendo ver o futuro, e outro mais adulto e barbado olhando para trás, vendo o passado. Era considerado nos documentos que persistem no tempo como o Deus das Portas e dos Inícios, mas provavelmente nos antigos cultos latinos e/ou etruscos ele representava mais que isto. Sendo o presente, que contempla o passado e o futuro, podemos considera-lo como um senhor do tempo, como o Chronos grego, ou ainda mais, já que ele era o deus das portas e das chaves, ou seja, tinha também o poder de abrir e fechar as portas da eternidade. Contemplando o mundo a partir de todas as perspectivas, visualizando a totalidade, sem nenhuma dualidade. Para Jano, não existia o bem e o mal, o branco e o negro, luz e trevas. Tudo era assimilado e compreendido por ele.

Apenas um deus com estas as características poderia ser capaz de penetrar, compreender e dar sentido à natureza criada por Jana, a Deusa Mãe adorada nos cultos ancestrais, através de mil nomes. Jana, Iana, Djana, Diana e com todas as variações possíveis da Raiz indo-européia “Dan” Don, Danan, e outras tantas, neste contexto, cuidava amorosamente de tudo que vivia e crescia no mundo. Jana incorporava a ordem universal, desde o seu domínio sagrado da realidade temporal, da sacralidade cíclica à transcendência. Nela tudo se fundia e os contrários se encontravam criando o sentido do absoluto. Mesmo o posterior cristianismo adota Santa Ana, a mãe da virgem Maria, mãe de Deus, deixando claro que Jana, acompanhada de Jano, permanece absoluta como a grande Deusa Mãe universal.

Jano controlava a vida que Jana criava e nutria. Estas eram as portas que se abriam e se fechavam, transformando em presente o passado e o futuro, que só existem para quem não crê na totalidade da vida. Como os ciclos do carvalho, que aparentemente morre e perde suas folhas, para renascer de si mesmo, representando a renovação de todo o universo representado por Jana e sua imagem perene do azevinho, que nunca perde suas folhas.
Ambos, enquanto simbolizavam a união dos contrários, eram na realidade uma coisa só: uma idéia superior que rompe com todos os padrões estabelecidos pelas aparências, eram uma unidade e marcavam a quebra de todas as falsas realidades e limites da vida.

No final do Império, quando os romanos davam mais atenção aos seus deuses familiares, Penates e Manes, e os sacrifícios e festivais dos grandes Deuses do panteão Greco Romano eram considerados como acontecimentos sociais ou uma obrigação cívica, parecida com pagar imposto, os cultos de mistérios apareceram com toda a força, trazendo de volta o culto às grandes mães primordiais como Isis e Cybele, representadas pelo perene Azevinho ou seus filhos e companheiros que regem os ciclos do mundo como Átis, Mitra ou Dionisio, que tinham em sua história um ciclo de morte e renascimento como o do Carvalho de Jano.

O que vem depois é o cristianismo, que durante mil anos ocultou o lado feminino da divindade, mas depois deste tempo entrou em colapso, pela falta da grande mãe, que foi restaurada na figura da Maria filha de Ana. E por uma incrível “coincidência”, as primeiras estátuas da Virgem que foram cultuadas tinham as mãos e o rosto negro, como a terra fértil e o lodo criador, e nos primeiros grupos que representavam Ana, Maria e Jesus havia uma desproporção entre as figuras, com Santa Ana sendo representada muito maior que Maria, que por sua vez também era desproporcional ao menino Jesus, mostrando claramente que Ana era superior aos demais.

Com o tempo o cristianismo voltou ao equilíbrio e sobreviveu mais mil anos com um masculino superior, porém com uma Maria que interfere e consegue favores a quem a pede diretamente a ela.
Maria, filha de Ana, se mostra como sua mãe, com muitas formas e muitos nomes, e aparece quando menos esperamos em vidraças, espelhos ou desenhada pela chuva em pedras e paredes. Aparece para as pessoas simples e para crianças, reafirmando sua perenidade, e Jano ainda nos abre as portas dos novos ciclos, como no mês de janeiro, embora muitos acreditem que eles sumiram do mundo há milênios.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

As Sete Purificações

Fonte: Mario Martinez, “Wicca Gardneriana”

A primeira prática a ser observada por todos os wiccanianos é a purificação. Ela é importante não só para o desempenho dos rituais, mas também deve ser observada em todos os momentos da vida sacerdotal. A purificação ritual, no Círculo, para se tornar completa e eficaz, necessita de uma preparação rigorosa que todos precisam conhecer.
Basicamente, de acordo com as antigas Tradições de Mistérios na Wicca, são sete as purificações básicas a serem observadas.

A Primeira purificação é a do pensamento. Saber pensar é uma arte, e o pensamento correto está relacionado à grande dificuldade geralmente encontrada entre os novatos: saber desejar. Para que todos os nossos propósitos sejam devidamente alcançados, necessitamos desenvolver uma forma correta de desejar. A maioria das pessoas tem uma noção bastante vaga de como irão alcançar determinado propósito. Assim, para que tudo possa correr da melhor maneira possível, precisamos purificar nossos pensamentos e aprender a desejar corretamente.

A Segunda purificação é a da palavra. A palavra é o veículo criador por excelência. De acordo com a antiga Cosmogonia Menfita, Ptah, o Demiurgo, criou todas as coisas enumerando-as pela palavra. A palavra cria, a palavra destrói. Assim sendo, a purificação da palavra torna-se um fator de suma inportância. Mentimos constantemente? Omitimos a verdade? Precisamos observar nossas palavras, para que, no instante em que as pronunciarmos no Círculo, os Guardiães possam nos ouvir e atender.

A Terceira purificação é a da realização. A realização não deixa de ser uma conseqüência direta do pensamento correto e da palavra correta. O esforço em prol ds nossas realizações se dá através da dedicação e do trabalho árduo e sincero. Aqueles que não se sentem estimulados a trabalhar duramente não obterão as realizações desejadas. O caminho sacerdotal é uma senda de dedicação e sacrifício.

A Quarta purificação é a do banho corporal. O banho de purificação que sempre deve ser tomado antes de qualquer exercício ou prática ritualística. Vamos voltar a esse assunto no final desta seção.

A Quinta purificação é a da nudez ritual. Atuar “vestido de céu” representa a libertação do corpo, mente e espírito. Em termos práticos, no exercício do sacerdócio, podemos verificar como o poder transpira dos nossos corpos através dos centros de poder. O treinamento em coven auxilia o desenvolvimento das técnicas de utilização desses centros, como deixá-los operantes e abertos para exteriorizar o poder. As roupas, mesmo as confeccionadas com fibras naturais, têm sua vibração e energia próprias, além de serem manuseadas por outras pessoas e por nós mesmos, o que acaba interferindo com a energia levantada no ritual.

A Sexta purificação é a dos alimentos. Uma alimentação pura e saudável deve ser observada, no mínimo três dias antes de qualquer ritual. Devem ser evitadas a gordura animal e as bebidas alcoólicas. Aqueles que puderem evitar seu consumo totalmente encontrarão grandes benefícios. [Durante um Sabá, é claro que tomamos vinho consagrado, e seu teor alcóolico é alterado pela consagração. Depois do Sabá, é um costume da Witchcraft comer um churrasco, pra ajudar a pessoa a se ligar ao Plano Físico. Até o Gardner foi obrigado a comer um churrasco de carneiro, e disse que “estava muito bom”. Na Pecti-Witta, uma Bruxaria Escocesa, não é permitida a entrada de vegetarianos.]

A Sétima purificação é a do sono. Dormir bem e estar fisicamente descansado é de grande importância. Ninguém consegue trabalhar com energias e seu poder pessoal, dormindo pouco e estando esgotado.

Existem outras práticas de purificação na Wicca, mas no momento, a que mais interessa é a do banho de purificação. Sempre que formos realizar qualquer prática, desde a meditação até um rito mais complexo, precisamos estar com os nossos corpos purificados. Já assisti muitas vezes, em determinados covens, rituais serem
iniciados após os membros terem apenas trocado de roupa. Sabemos que recebemos centenas de influências energéticas de todos os tipos na rua. O contato com pessoas estranhas ou mesmo conhecidas pode influenciar o nosso campo energético. Nossos centros de poder são afetados, muitas vezes ficando até bloqueados. A primeira providência é o banho ritual. Normalmente, pode ser um simples banho de sal grosso, que limpará nossos centros de poder e nossa aura das influências externas. Algumas vezes pode ser também um banho preparado com ervas frescas, nunca secas, as quais deverão ser espremidas na água até produzirem um suco forte e verde. A qualidade e a espécie de plantas, a serem utilizadas em tais banhos de purificação, deverão ficar a critério do sacerdote ou da sacerdotisa responsável pelo coven.

Após o banhos, nenhuma roupa deve ser usada, para que não contamine novamente nosso campo energético com influências estranhas. Como já mencionei anteriormente, mesmo as roupas limpas e lavadas foram manuseadas por outras pessoas, que as dobraram ou passaram. Não sabemos com que tipo de pensamentos essas pessoas contaminaram as fibras dos tecidos. Do mesmo modo, não podemos saber se tais pessoas estavam doentes, alcoolizadas, ou se tinham feito sexo recentemente. Tais energias, obviamente, impregnam os tecidos e acabam sendo absorvidas pelos nossos centros de poder.

Outro ponto importante é que, após o banho ritual, não devemos nos enxugar com toalhas, pelo mesmo motivo exposto acima, a não ser que seja estritamente necessário devido ao clima frio. Caso isso precise ser feito, aconselho que cada um lave e passe sua própria toalha de uso pessoal. [Depois que vi minha empregada espirrando em cima da minha toalha enquanto a passava, passei a concordar com o Martinez. Não precisamos nos tornar maníacos por limpeza, mas um pouco de higiene ajuda

terça-feira, 23 de agosto de 2011

De Lois Bourne, em 'Autobiografia de uma Feiticeira':


“O manto da Grande Mãe ainda nos envolve. Ela incorpora todos os apectos mutáveis e eternos do ciclo da vida, Ela é Ser e Amor, enquanto o Seu consorte masculino personifica os apectos temporais dinâmicos da evolução, que resultam da mente criativa e do poder da vontade. Não são divindades históricas, mas vivem nessa terra aqui e agora, encarnados em todo homem, mulher e criança, animal, planta e mineral, e uma das coisas que distingue uma feiticeira de outros homens e mulheres é que ela pratica técnicas mentais para elevar sua consciência acima da comum, cujo ego é sujeito ao tempo-espaço, até a consciência cósmica do Deus ou da Deusa, sempre que a ocasião exigir. Os Antigos Deuses não estão mortos, eles acham que você está e, como resultado de servir à Luz ou à Escuridão, continuamos a tecer nossas teias prateadas de magia, de feitiços e encantamento, para o seu bem-estar ou sua destruição. Eden Philpotts escreve: 'O universo é cheio de coisas mágicas, esperando pacientemente que nossas faculdades se agucem.' Eu descobri algumas dessas coisas mágicas e espero descobrir mais.”